O impacto profundo da descoberta da gravidez provoca uma onda de choque que transforma nosso mundo. O período que se segue será de adaptação constante a essa nova realidade. Mas durante a gestação, em meio a um turbilhão de reflexões e mudanças, os novos pais vão se envolvendo mais intensamente com o bebezinho que se forma. Começam a pensar em coisas mais leves e divertidas como escolha do nome (aqui a criatividade e rola solta, Wilaneides e Kelvinsons que nos digam haha), peças de enxoval (as mulheres adoram brincar de bonecas - e os homens também #prontofalei) e a cor do quarto da criança. Nesse ponto costuma-se não ter dúvidas:

Rosa para as meninas e Azul para os meninos, certo? Errado não é, mas convenções como estas representam paradigmas culturais. Explore o universo da luz. As crianças merecem mais que tons pastéis e lugar-comum. Elas querem vibrar com as cores!

Cor é percepção visual, reação fisiológica. É como o cérebro interpreta a luz capturada através da retina. As cores que atribuímos ao mundo na verdade existem apenas em nossas mentes, são representações internas. Ao olhar, pintamos o mundo em nível cerebral. Desenvolvemos a capacidade de diferenciar milhares de tons do espectro óptico, e isso nos permite distinguir os materiais da natureza e nos localizarmos melhor no espaço. Por isso podemos ver um mundo multicolorido e com profundidade, rico em informações, pronto pra ser explorado.

As cores influenciam psicologicamente o ser humano, conforme o tom, matiz, saturação e luminosidade. Há cores que provocam reações sensoriais universais, como o vermelho-sangue. Porém, muito do estímulo psicológico de determinadas cores se deve a paradigmas culturais relacionados a elas.

No Brasil há tantas cores quanto formas e pensamentos. Do vermelho profundo do urucum à brasa do pau-brasil, das penas de arara e papagaio do cocar do cacique à revoada das avenidas do Carnaval, das frutas e legumes das feiras-livres à Rua 25 de Março.

Imagem: Rua 25 de Março (veja esse lindo set de Eli K.Hayasaka)

E os grafites de São Paulo?

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Veja esse set do Ozi.

Na índia, a chegada da Primavera é comemorada com o Holi, a celebração das cores. Veja esse maravilhoso set do Boston Globe e esse outro deslumbrante set de Poras Chaudhary. Não há povo mais colorido no mundo!

Imagem: Ajay Verma

celebracao das cores india holi

Imagem: Poras Chaudhary

A produção de cores ao longo da história sempre esteve relacionada com a disponibilidade de extração dos recursos naturais das regiões produtoras. Os humanos começaram pintando sua própria pele e cabelos misturando sementes e pigmentos de madeiras e minerais a óleos vegetais. Passaram a pintar objetos, paredes, depois tecidos, mas nada que exigisse produção em larga escala. Mas na medida em que as sociedades se expandiram, passaram a buscar todo tipo de fonte para suprir a demanda. O raridade de determinada cor também determinava o grau de nobreza de quem a ostentava. Hoje, nossa tecnologia possibilita a reprodução de todo o círculo cromático e ainda decodifica a natureza que nosso sistema perceptivo visual não nos permite ver.

A indústria contemporânea alimenta um gigantesco consumo global do Pink and Blue, cores que representam a mulher e o homem. Mas, conforme quebram-se os padrões de definição sexual, novas cores se destacam, ruindo o padrão monocromático da sociedade.

Imagem: Eli K.Hayasaka.

Mas a verdade é que cor é comunicação e a natureza usa e abusa desse recurso, para repelir ou atrair o outro. Portanto, vamos celebrar as cores!

Imagem: Beatriz Milhazes



No dia 18 de maio de 1973 Araceli Cabrera Sanches, uma menina de 8 anos, foi seqüestrada, torturada, violentada e brutalmente assassinada em Vitória, no Espírito Santo. Uma grande tragédia. O caso segue até hoje sem a punição dos desprezíveis criminosos.

E em 1998 a Lei 9.970 instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O Blog Diga Não À Erotização Infantil convida todos a participarem da segunda blogagem coletiva “Em Defesa da Infância”, dias  18 e 25 de maio de 2009.

Participe também do Movimento Pela Criação do Alerta Amber no Brasil,  um alerta nacional de crianças desaparecidas.

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Via Liliane Ferrari/ Mãe com Filhos

 



Não, definitivamente o homem não possui órgãos para gerar em si um filho.

O americano Thomas Betsie (matéria da abc news), conhecido como o homem-grávido (CNN), é na verdade transexual nascido mulher, que fez a cirurgia de mudança de sexo mas manteve intacto seu sistema reprodutor (#tilt). O filme Junior (1997) com Arnold Schwazzenegger é sobre um homem que realmente engravida, mas não passa de uma comédia hollywoodiana. Portanto, o pai que sente todos os sintomas de gravidez é na verdade “mãe” porque trata-se de uma mulher.

Mas há homens que realmente sentem os sintomas da gravidez e as mesmas sensações que as mães sentem durante a gestação, como enjôos, desejos, dores nas mamas, ganham peso e barriga (a barriga é desculpa, vá!) desenvolvendo assim a chamada Síndrome de Couvade (wiki/inglês) apresentam sintomas físicos e psicológicos semelhantes e concomitantes aos das mulheres - é o chamado PÃE (pai-mãe).

Pães, lamento informar, fecundação cabe ao homem e à mulher, mas a gestação é fisiologica e organicamente uma exclusividade da mulher.

Mas o fato é que os pais realmente passam por mudanças hormonais  no período da gestação que ajudam a prepará-lo para a nova etapa como o aumento dos níveis de prolactina e a queda dos níveis de testosterona - que diminui sua agressividade - favorecendo a cooperação entre pais e mães. Tudo isso graças aos feromônios, substâncias químicas exaladas pelo corpo da mulher que desencadeiam as oscilações hormonais nos futuros pais. Quanto mais próximos estão das mulheres, maior a probabilidade de os homens experimentarem os sintomas de gravidez.

O envolvimento do pai com o bebê é natural e historicamente desprezado. E isso parece mesmo não ter feito a menor diferença para o sucesso da perpetuação da espécie humana até agora. A natureza da mulher é gestar, amamentar a cria. O homem é programado para caçar, alimentar e proteger o grupo. Há um equilíbrio lógico nisso.

É incrível, mas os homens levaram milhares de anos para perceberem (dããã) que tinham alguma participação na produção das crianças que nasciam das mulheres em seus grupos - e levaram outros milhares para descobrirem individualmente quais eram seus filhos (rarara). Isso escancara a ignorância natural do homem em relação à sua paternidade, mas também ajuda a entender a razão do atraso cultural na compreensão do envolvimento paterno.

Quando finalmente se deu conta de que o sexo gerava filhos aprendeu que tudo na vida tem um preço (#erabomdemaispraserverdade). Nesse momento passou a desenvolver linhagens, valorizar sua prole e descendentes. Mas pra compensar sua aparente falta de importância direta na gestação, o descaso dos outros para com sua condição de pai e o ciúme da mãe como foco social, o pai passou então a anunciar e afirmar bem claramente sua paternidade.

O psicanalista David Azoubel Neto associa essa questão com o futebol relembrando três momentos míticos: as comemorações de gols/ anúncio de filhos dos jogadores-pais: Bebeto na Copa de 94 (ninar), Robinho chupando o polegar na Copa América 2007 e um jogador da Seleção de Sub-vinte que colocou a bola sob a camisa, simulando a barriga de grávido.

Na medida em que as famílias foram se fortalecendo e formando culturas, desenvolveram diferentes maneiras de aproximar o pai do futuro filho. Os chamados  Rituais de Couvade (Houaiss: etim. fr. couvade (1877) ‘id.’, do v. couver ‘(sXII) 2chocar (ovos)’), levam os pais a experiementar sensações semelhantes às de uma gestação ou parto (imaginem como pode ser uma simulação tribal de parto #meincluaforadesta).

Mas o pai contemporâneo está mais ativo em sua parentalidade e exerce maior influência sobre o desenvolvimento de seus filhos, ao contrário do estereótipo do pai visto como incompetente e desinteressado.

O Envolvimento Paterno durante a Gestação” é um interessante estudo desenvolvido por César Augusto Piccinini da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que investiga como se dá este envolvimento durante o 3º trimestre de gestação. Neste período os pais se conectam aos seus filhos de maneiras diferentes, porém no geral, os resultados evidenciam que, hoje, os pais buscam um maior envolvimento com seus filhos já na gestação.

O homem não fica grávido literalmente, mas o período gestacional é para o pai uma fase de adaptação psicológica, biológica e social à sua nova condição.

O pai não deve competir com a mãe pela posse da cria, nem precisa simular as dores do parto para envolver-se com o filho. Para vivenciar sua paternidade o homem precisa simplesmente ser pai e companheiro.


luisa

Luisa. Esse é o nome da minha filha. A primeira vez que nos olhamos nos olhos bem profundamente foi impactante, um momento de conexão, de forte identificação. Nos reconhecemos como partes um do outro.

Até esse momento de reconhecimeto mútuo o contato que o pai tem com sua filha ou filho é muito limitado. Vou direto ao ponto: não há como superar a mãe em termos de conexão orgânica. Ok, o material genético do pai está lá espiralando-se com o dela, blá blá, mãe e pai com igual importância. Vermelho com Azul para um Roxo brilhante. Mas a verdade é que todo o sistema gestacional de que a mãe dispõe para a formação do bebê é viceralmente insuperável. O cordão umbilical é a conexão maternal. O pai é wireless.

Mas engana-se quem acha que a importância do pai na gravidez restringe-se a satisfazer desejos gastronômicos da mamãe. Ela precisa de total apoio para enfrentar três trimestres de alterações hormonais e fisiológicas, náuseas, enjôos, irritação, sonolência, acnes, retenção de líquidos, varizes. Apesar dos efeitos colaterais a mulher grávida exala beleza, ela fica lindíssima, vívida, reluzente. Seu corpo está no auge produzindo vida.

O processo de formação de um filho é também um processo de formação de um pai, que  amadurece conforme cresce a barriga (da mãe, não do pai). Nessa fase ele se faz presente através de seus sons: voz, timbres, rítmos, vibrações, berros, urros, roncos, cantos, assovios, palmas, instrumentos. O bebê identifica seus odores e perfumes. E pode sentir seu toque. É mais uma importante  percepção que consolida a consciência da existência do filho (assim como a intuição da gravidez, confirmação da gravidez, imagens do ultrassom, batimento cardíaco do bebê). É maravilhoso tocar a barriga da mamãe e acariciar o dorso do bebê, o pezinho, sentir que ele está ali e fazê-lo perceber que você também está.

“É uma menina” disse o médico no exame de ultrassom confirmando as espectativas da mãe radiante e orgulhosa. Pensei: Caramba! É mesmo uma menina. Sou pai de menina…

Todo homem quer um filho moleque, dizem. Claro, parece mais natural criar um moleque, afinal, pensamos, ele é um de nós! Já uma menina - nossa! - nem sequer entendemos sua mãe!  Mas a verdade é que descobrir-se pai é acessar um instinto desconhecido, apenas latente até então, mas preparado para um menino, uma menina ou toda uma prole. É a natureza minha gente!

É o instinto que move um pai. Ele pode até questionar-se quanto à sua própria percepção do universo e reavaliar suas convicções de modo a reciclar seu entendimento da realidade antes de transmitir qualquer conhecimento aos filhos. Mas é como lida com o impulso ancestral que o definirá como pai. Tudo isso é muito natural.

Chega o dia do parto, tão esperado dia. Nasce uma estrela.

Finalmente pude olhar seu rosto, tocar suas mãos, seus pés, sentir seu peso, seu cheiro e também ouvir bem alto seu choro de espanto ao observar o mundo do lado de fora do casulo.

Oi Luisa, minha linda. Sou eu, seu pai (”Luke, eu sou seu pai” #darthvader). Sei que nunca vou poder lhe dar o calor e aconchego de onde você foi gerada, nem posso transformar o mundo numa grande placenta. Mas daqui pra frente sou seu guia nesse mundo belo e selvagem, por isso pode ir se acostumando comigo mocinha. Vamos nos divertir!

Eu juro que a vi sorrir nesse momento.

Lembrei-me então da primeira vez que vi sorrir sua mãe. Me apaixonei completamente. Não imaginava ainda como seria o nome da minha filha, mas o nome da mãe eu já sabia: Liliane.